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  Márcio Passos
Relativo Ao Vedas - Parte 1

MINHA INTRODUÇÃO AOS VEDAS
Por Prof. G. Venkataraman

Este texto foi ao ar na Rádio Sai em 2006
Amoroso Sai Ram e saudações de Prashanti Nilayam. Nesta e nas conversas seguintes, nas semanas subseqüentes, eu pretendo dizer algo sobre os Vedas. Em face disto, esta é uma proposição cruel, considerando que eu não posso cantar nenhum hino sequer dos Vedas. Apesar desta ignorância, os Vedas causam tal fascinação em mim que eu não posso me conter em falar sobre eles. Você poderia perguntar, "Como você pode falar sobre os Vedas quando você sabe tão pouco?" Boa pergunta, mas minha resposta é que eu sei pouco sobre os aspectos técnicos mas eu fui privilegiado por ter uma visão ampla de outros aspectos, e é nisso que eu vou fundamentar estas conversas. Minha lembrança mais remota de algo a ver com os Vedas volta para aproximadamente 1940; talvez até mesmo um par de anos antes. Naqueles anos, eu fiz uma visita ocasional a Manamadurai, uma cidade pequena, aproximadamente a 40 km para o sudeste da famosa cidade-templo Madurai. Manamadurai está no Distrito de Ramnad de Tamil Nadu, e está na rota de Madurai para Rameswaram, no Sul, na costa Oriental da Índia, de onde, segundo a lenda, Rama lançou a invasão de Lanka. Rameshwaram é um centro popular de peregrinação.
O Estado de Tamil Nadu na Índia Madurai & Rameshwaram em Tamil Nadu
Os britânicos construíram uma estrada de ferro de Madras até Dhanushkodi um pouco além de Rameshwaram. Todos os dias um trem chamado o Barco Correio vai de Madras para Dhanushkodi e volta de Dhanushodki para Madras. Este trem atravessa Manamadurai, e a passagem do Barco Correio tornou-se lá diariamente um grande evento. O trem cruza o Rio Vaigai por uma ponte e muitas pessoas juntam se no rio só para ter uma rápida visão do trem passando. Eu também fiz isto. A propósito, este trem foi chamado Barco Correio porque levava correio da Inglaterra para Madras (agora Chennai) por Colombo. Por esses dias, velejavam os grandes navios da Inglaterra para Colombo em vez de para Madras. O correio era descarregado lá e enviado através de trem para um lugar em Ceilão do Norte, como o Sri Lanka era chamado por esses dias. De lá um pequeno barco levava o correio a Dhanuskodi onde era transferido ao Barco Correio rumo a Madras. Remessas de Madras para a Inglaterra seguiam a rota inversa.
Escola Védica
Por que eu estou mencionando tudo isto em uma conversa sobre os Vedas? Só para dizer algo sobre Manamadurai, e uma escola Védica que lá conheci. Esta escola distava duas portas da casa ancestral da família de meu pai, e nesta casa ficaram dois irmãos mais velhos do meu pai. Eu fui lá algumas vezes e, invariavelmente, eu ficava fascinado pelos cantos ininterruptos que vinham de duas portas além. Esta escola Védica ou Veda Paatasala como é tecnicamente conhecida, existia, aparentemente, há muitas décadas, tendo sido fundada por uma família rica de Chettiar.
Para registro, devo mencionar que os Chettiars pertencem à comunidade de comércio, e o comércio os levou para a Birmânia, Malaya, Cingapura e até mesmo lugares como Laos e Camboja. O Chettiars eram geralmente prósperos, e, de acordo com as tradições, gastavam uma boa parte da sua riqueza em atividades caridosas. Por exemplo, muitos deles doavam um bom dinheiro para templos. Outros construíram choultries ou hospedarias para peregrinos que visitavam santuários, como Rameswaram, ou Tirupathi ou Benares. Outros patrocinavam escolas de Veda Paatasalas como a que eu mencionei. O Veda Paatasala era essencialmente uma escola Védica que meninos Brahmin, freqüentemente de famílias um pouco pobres, entravam quando eles eram muito jovens, ao redor de cinco a sete anos de idade, depois de passar pela cerimônia de Upanayanam. Muitos de você podem ter visto a cerimônia coletiva Upanayanam executada de vez em quando por Swami.
Cerimônia de Upanayanam
Qual é o significado exato dessa cerimônia? Eu farei algumas observações aqui e talvez volte a este tema para uma exploração mais detalhada. Para bem entender o que é esta cerimônia, nós temos que voltar para a idade Védica o que significa voltar no tempo alguns milhares de anos. Por esse tempo, um menino nascido em uma família Brahmin podia viver como uma criança qualquer, sem qualquer restrição, até a idade de cinco anos. Ao alcançar aquela idade, havia uma mudança e a cerimônia de Upanayanam sinalizava essa mudança de rumos. A cerimônia era essencialmente uma iniciação a uma vida disciplinada, com forte ênfase no controle dos sentidos e da mente bem como um foco constante em Deus.
Pode-se quere saber, por que tudo isso? Não era uma severa imposição a um ser de apenas cinco anos de idade? Bem, esse é o modo como nós pensaríamos baseados no ambiente de hoje. Cinco mil anos atrás, a vida era diferente e Brahmins tinham o dever de sustentar e difundir o Conhecimento Espiritual. Na prática, eram os Brahmins que aconselhavam a todos, inclusive reis, em assuntos relativo ao Dharma e à observância de vários rituais prescritos nas escrituras. A responsabilidade dos Brahmins era onerosa, e o treinamento para o trabalho tinha que começar cedo. A propósito, em conversas posteriores, eu terei muito para dizer sobre muitos destes rituais e o Mantras Védicos cantados nessas ocasiões. Deixe-me voltar ao Upanayanam. O ponto alto da cerimônia é o que é chamado o Brahmopadesam, e consiste no pai sussurrar o Gayathri Mantra sagrado no ouvido do jovem menino. Estou seguro que todos vocês conhecem o Gayathri Mantra, especialmente porque Swami falou tantas vezes sobre isso. Depois eu voltarei a isto. Eu só estou mencionando o Gayathri Mantra para dizer que uma vez que o menino ouve isto, é suposto que ele nasce novamente, espiritualmente, nesse momento. O período de infância termina e, como resultado deste nascimento espiritual, a vida dele toma agora um novo formato. Eu menciono que os judeus têm uma cerimônia de iniciação chamada Barra Mitzvah e a comunidade Parsi tem uma cerimônia de iniciação também semelhante à mencionada. Os detalhes e até mesmo os objetivos destas cerimônias de iniciação podem não ser totalmente iguais à cerimônia de Upanayanam, mas basta lembrar o fato de que muitas sociedades antigas tinham uma cerimônia para marcar a transição da infância para a juventude.

O Verdadeiro Brahmachari
Um menino que passou pela cerimônia de Upanayanam é chamado Brahmachari. Há uma errônea noção que Brahmachari quer dizer "solteiro". Um Brahmachari é solteiro sem nenhuma dúvida, mas, como Swami mostrou, a palavra Brahmachari tem um significado mais profundo que não tem nada a ver com estado civil. De acordo com Swami, um verdadeiro Brahmachari é aquele cuja Mente é totalmente focada em Brahman ou Deus.
Isto nos leva de volta ao Veda Paatasala.
Antigamente, o Brahmachari ia para a residência de um Guru e lá ficava por muitos anos, no Ashram, aprendendo os Vedas e levando uma vida disciplinada como ordenado pelas escrituras. Depois de completar os estudos, que ocupavam muitos anos, o Brahmachari pedia respeitosamente a licença do Guru e entrava na vida mundana. Ele se casaria então, e serviria a sociedade em todos os sentidos possível, especialmente guiando as pessoas de várias comunidades, que não estavam versadas nas escrituras, nos seus deveres na vida. A vida mudou com a passagem do tempo, e antes do século 19 a maioria do Brahmins estava comprometida em tarefas diferentes da propagação do conhecimento das escrituras. Muitos se tornaram prósperos proprietários, completamente envolvidos na supervisão das atividades agrícolas em suas fazendas. E quando escolas e faculdades de estilo Ocidental eram estabelecidas pelos britânicos, muitos Brahmins abraçavam a educação Ocidental felizes, especialmente porque isso lhes dava uma oportunidade de carreira profissional como um administrador no Governo, como advogado, professor, doutor e assim por diante. Como resultado dessas forças sociológicas, ficou crescentemente necessário estabelecer escolas Védicas onde pudessem ser treinados os sacerdotes védicos. Por favor, não pense que escolas Védicas só começaram a existir por causa dos desenvolvimentos que eu mencionei há pouco. Elas existiram antes, principalmente para dar aos meninos Brahmin uma preparação séria nos Vedas. Mas as mudanças sociais tornaram ainda mais imperativo ter escolas que treinassem as pessoas para se tornarem sacerdotes.
Swami Cria uma Escola Védica nos anos 50
Voltando a Manamadurai e ao Veda Paatasala, eu não prestei muita atenção a isto, mas sua presença ficou registrada em algum lugar da minha memória, e só anos mais tarde eu apreciei o papel que esta e outras Paatasalas tiveram em minha vida. Devo registrar que também nos anos cinqüenta, Swami estabeleceu um Veda Paatasala aqui em Prasanthinilayam. Foi administrado por Sri Kamavadhani, um mestre Védico por excelência. Ele viveu até a idade madura de cem anos, e eu ouvi Swami falar muitas vezes, afetuosamente, de Kamavadhanigaru. Eu também tive o privilégio de vê-lo algumas vezes nos seus últimos anos. Swami não estabeleceu o Veda Paatasala para treinar sacerdotes, mas para ensinar aos estudantes de Swami a importância dos Vedas e entenderem a necessidade de preservá-Los. Incidentemente, não havia nenhuma restrição, e qualquer um que tivesse um interesse sério no Vedas e uma sutileza em aprender, era admitido à Swami Veda Paatasala. E não era só para Brahmins. Graças ao esforço de Kamavadhani nós vemos tantos estudantes cantando sem esforço várias porções do Vedas, durante o Darshan, tanto pela manhã como à noite.
O Efeito da Cerimônia de Upanayanam
Deixe-me voltar ao ano de 1947. Foi quando, por insistência de minha avó, meu pai executou a cerimônia de Upanayanam para mim. Foi um ritual de quatro dias, celebrado na melhor das tradições, em uma pequena aldeia no Sul Índia, muito dada às tradições. Havia muitas coisas associadas com a cerimônia que eu detestava, positivamente, entretanto eu não tinha escolha, só tinha de obedecer. Foram colocadas muitas restrições em minha vida e isso me deu muita raiva naquele momento, mas havia pouco que eu pudesse fazer a não ser concordar.
Uma coisa que eu percebi então era que tendo passado pela cerimônia de Upanayanam, me exigiam agora que eu executasse um ritual chamado Sandhyavandham três vezes por dia, uma vez pela manhã, uma vez à tarde e mais uma vez à noite. Entre outras coisas, como parte deste ritual eu tinha que cantar o Gayathri 32 vezes. Minha mãe era muito rígida e não me dava comida a menos que eu tivesse completado Sandhyavandanam. Isto me deixava furioso, mas eu não tinha nenhuma escolha. Estranhamente, eu não pensei em enganar. Eu não sei por que; mas suponho que era por pura graça Divina. Embora com grande relutância, eu me empurrava de alguma maneira a cantar todos os dias os Mantras que eu sabia de cor.
Eu menciono tudo isso por uma série de razões. A primeira é que eu não sabia então que os Mantras que eu estava cantando eram todos dos Vedas. Segundo, ninguém se deu ao trabalho de me explicar o significado desses Mantras. Talvez se eu tivesse entendido seu significado, eu pudesse ter aceitado tudo com um espírito melhor. Eu voltarei depois ao Sandhyavandanam, mas agora, deixe-me citar uma oração daquele ritual. Esta oração é:

Aakashath paththam thoyam,
Yadaa gachhathi sagaram,
Sarva namaskaaraha de Deva,
Pradhigachhathi de Kesavam.

Que grosseiramente significa: 'da mesma maneira que toda a água que desce do céu eventualmente acha seu caminho ao oceano, todas as orações que eu ofereço agora às várias deidades serão eventualmente recebidas por Kesava, o Deus Supremo. '
Isso é que é um pensamento profundo! Isto é a beleza do Vedas. Superficialmente o Vedas pode parecer uma coletânea de rituais, alguns dos quais podem parecer velhos, superados e até mesmo censuráveis para estes dias. Mas quando a pessoa se aprofunda mais, a questão é completamente diferente. A pessoa não pode então senão admirar esses anciões pela profundidade da sua sabedoria. Tudo isso eu discutirei em detalhes mais tarde.
A propósito, eu penso que é apropriado mencionar que Swami cita freqüentemente a última parte do Mantra a que há pouco me referi. Swami diz:
Sarva jeeva namaskaaram, Kesavam Pradhigatchathi. Sarva tiraskaaram de Jeeva, pradhigatchathi de Kesavam.
O significado é: todas as saudações que nós oferecemos aos nossos companheiros humanos chegam a Deus. Se em vez de saudações nós lançarmos abuso, eles também chegarão a Deus, eventualmente. Assim, diz Swami, nós devemos ter o melhor cuidado para não abusar dos outros. Nós podemos pensar que nós estamos abusando de fulano de tal, mas em realidade é de Deus que se abusou. Nós não queremos fazer isso, queremos?
Om Sai Ram

Nota: Este artigo foi traduzido do texto em inglês das palestras levada ao ar na Radio Sai em Prashanti Nilayan pelo professor G. Venkataraman em 2006






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