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  Marilu Martinelli
Os Valores Humanos e a Construção Da Paz

"Não existe caminho para a paz, a paz é o caminho".
Mahatma Gandhi
"Amem a todos, sirvam a todos".
Sathya Sai Baba
"Amem ao próximo como a ti mesmo".
Jesus

A paz é um valor universal, é também um anseio humano compartilhado por todas as raças, culturas, filosofias e religiões do mundo. A construção de uma cultura de paz deriva, em ultima estância, da qualidade da nossa relação com nossa interioridade, e isso se reflete na maneira de nos relacionarmos com os demais, além de definir nossas escolhas na vida. Qual a importância de estar vivo, qual o seu significado, valor e objetivo? São perguntas que cedo ou tarde todos nós teremos que nos fazer. É importante perceber que a paz se enraíza numa dimensão sagrada do nosso ser. A paz não encontra sustentação nos valores do individualismo liberal e separatista que norteiam nossa cultura. Os valores desumanos e egoístas fundamentam a violência e a exclusão, por isso causam infelicidade, medo, dominação e injustiça. Então o que fazer para construir a paz? Quais os valores que devem nortear uma cultura de paz? Para vivermos a paz e em paz é preciso ir além dos limites do imediatismo e da ética individualista que permeia a sociedade mundial. Esses valores egocêntricos alicerçam uma visão destorcida do mundo, das relações familiares, do trabalho, da sociedade, e da natureza. A paz é construída passo a passo, palavra a palavra, com gestos amorosos de mãos espalmadas e desarmadas dispostas ao acolhimento. É inegável que estamos sendo forçados a refletir sobre o fato de que nosso tempo é agora e que precisamos andar juntos com passos determinados em direção à paz. Esse é o caminho que nossas almas nos incentivam a trilhar se quisermos subsistir como espécie. Para isso temos que questionar nosso próprio comportamento, valores, prioridades e atitudes. Nossos conflitos internos geram conflitos externos; conforme vamos apaziguando nossos medos, raivas, mágoas e frustrações vamos pouco a pouco nos tornando agentes de paz. Trata-se de uma pratica cotidiana e constante que transforma confrontos em encontros e descortina novos horizontes corrigindo rotas e modos de pensar, sentir e agir. Paz não significa apenas ausência de guerras e conflitos entre nações, nem momentos de calmaria emocional individual. A paz é um estado de consciência, o patamar de onde partimos para libertarmos nossa mente aprisionada a si mesma pelos fios dos medos, preconceitos, e dos desejos não realizados. O alicerce da paz é o desapego dos condicionamentos familiares, culturais, raciais e religiosos; também é importante saber por limites aos desejos e nos libertarmos dos falsos valores e necessidades artificiais. Para isso precisamos a ouvir o próprio coração e saber o que realmente é importante para nós, então agir e oferecer o resultado das nossas ações a dinâmica da vida e nos livrarmos das amarras das expectativas. À medida que conseguimos abrir mão de hábitos e conceitos arraigados permitimos que as transformações aconteçam, e de modo geral nossa percepção se refina e nossas capacidades progridem. A paz começa em nós e conosco. Não bastam discursos e intenções de construir a paz, é preciso saber que a paz é um compromisso amoroso da alma individual com as outras almas. É preciso descobrir a importância de ser humano, unindo o homem natural ao homem intelectual e espiritual. A Paz se constrói mediante o respeito e a aceitação da pluralidade racial, cultural e religiosa para que possamos resgatar pelo coração o verdadeiro significado de liberdade, igualdade e fraternidade. Sem viver os valores humanos qualquer discurso sobre a paz torna-se um discurso vazio. Na construção da paz, os valores humanos e os direitos humanos caminham juntos. Os direitos humanos seriam naturalmente respeitados se vivêssemos os valores humanos no cotidiano, então seguramente a paz reinaria soberana. Todos nós somos convocados para essa tarefa embora muitos não aceitem o chamado e se recusem a participar da construção de uma cultura de paz. É preciso acreditar na nossa capacidade de sermos pacíficos e pacificadores.Um mundo melhor e um modo de vida mais condizente com as aspirações legítimas do nosso ser subjaz na nossa própria consciência e é nela que reside a solução. Estamos perplexos diante da complexidade do momento civilizatório, mas como dizia Martinho Lutero: "O homem nunca voa tão alto como quando não sabe para onde está indo". Podemos viver e promover a paz a partir da pratica do amor fraterno e criar uma inovadora maneira de conviver com as diferenças. Buscar o encontro e não o confronto visando o ponto de contato, e oferecer ao mundo nossa peculiaridade como contribuição amorosa e competente. Desse modo nos capacitamos para amar a vida mais do que a tememos.

Marilu Martinelli

Jornalista. Atriz. Educadora para Formação do Educador em Valores Humanos. Escritora. Professora de Mitologia Universal e Filosofia Oriental. Consultora para Formação de Lideranças e Gerenciamento em Valores Humanos. Especialista em Desenvolvimento Humano.


Visite o site: www.marilu.martinelli.nom.br





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