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  Marilu Martinelli
O Hinduíismo e os Vedas

"O que for a profundeza do teu ser, assim será teu desejo. O que for o teu desejo, assim será tua vontade. O que for tua vontade, assim serão teus atos. O que forem teus atos, assim será teu destino."
Brihadaranyaka Upanishad

A Índia abriga seguramente a civilização que tem ponderado mais profundamente acerca dos mistérios da vida, do sentido de estar vivo e sobre a impermanência e a imortalidade. Tem mergulhado mais profundamente que qualquer outra tradição nas questões acerca das limitações e capacidades humanas e dos desafios mais duros da arte de viver. Seus pensadores encontraram as propostas mais abrangentes, includentes e universais sobre a procura de uma sintonia fina com a alma. Podemos dizer que a Índia é a detentora da memória espiritual da humanidade. O esplendor da Verdade é único e o mesmo, mas a essência da Verdade se espelha de maneiras diferentes conforme a cultura que a reflete. Cada povo e tradição têm sua ética, moral, filosofia, escrituras sagradas, rituais, mitologia, símbolos, e usos e costumes. Porém, todas as culturas e credos são permeados por uma realidade transcendente que advém da unidade que subjaz na diversidade das expressões e escolhas humanas. O Sanatha Dharma, a Lei Eterna, é a raiz do que veio a ser o hinduismo. O vale do rio Indo foi habitado a cerca de 3000 anos AC, ou mais, por um povo altamente evoluído. Muitos dos tesouros de arte e manuscritos, e as ruínas das cidades de Mohenjo-Dâro e Harapa vêm sendo pesquisados, mas pouco se sabe ainda sobre a civilização que habitava essa histórica região. O que se verificou com certeza foram restos de estátuas que remetem ao shiwaismo e adoração do linga e da yoni, vestígios de adoração a uma Deusa Mãe, assim como ruínas arquitetônicas que oferecem noções da distribuição dos espaços das residências e da convivência social. Tudo isso oferece indicadores sobre a religião, a ética e a vida comunitária daquele povo denominado drávidas. Eles cultuavam as forças da natureza, sol, lua, terra, fogo, ar, árvores, montanhas etc. Por volta de 2000 a 1500 AC, povos indos-arianos chegaram ao local, vindos do nordeste, a primeira invasão ariana. E no decorrer do tempo as invasões étnicas, culturais e religiosas, assim como as seitas ancestrais nacionais foram se amalgamando e formando o que hoje denominamos hinduismo. Uma tradição cuja origem se perde no tempo e que não tem um fundador específico. Uma tradição tão fortemente enraizada na cultura da Índia que nem mesmo a dominação inglesa que governou com mão de ferro conseguiu enfraquecer e com a independência do país orientada pelo Mahatma Gandhi se fortaleceu e persiste viva e única apesar da globalização.

O PASSADO VIVENTE

A principal finalidade do pensamento filosófico indiano não é explorar o mundo material e visível, é desvelar e integrar na consciência o que a vida oculta, o que subjaz por traz do evidente. Desde tempos imemoriais até os dias atuais o hinduismo visa a transformação interior, e não apenas a informação. A meta é uma transmutação da natureza humana, pelo despertar do sono da ignorância para uma nova visão da própria existência, dos semelhantes e do mundo. Uma transformação não apenas através da compreensão intelectual, mas da revelação espiritual enraizada no coração. Um momento de íntima revelação espiritual "anubhava". A partir dessa revelação, "avydia", ignorância, se torna "vidya", conhecimento luminoso, sabedoria. A filosofia indiana está estreitamente ligada à mística e à mitologia, e também defende o princípio imensurável e imperturbável do Atma. No ocidente encontramos alguns filósofos como Pitágoras, Platão, Epicuro, Plotino e os neoplatônicos que também unificaram o pensamento lógico e o transcendental, mas nada que se compare a idéia do Atma. Entre os místicos cristãos que abraçaram o pensamento unificado podemos citar Santo Agostinho, Mestre Eckhart e Jacob Boehme de Silésia entre outros. Porém, o diferencial da filosofia, da religião e da própria civilização indiana está na idéia do Atma, o Eu Superior, imperecível e imutável, além da causalidade, do espaço e do tempo. A filosofia indiana assim como a ocidental também analisa as estruturas da consciência e da psique, analisa os mecanismos da mente, as leis da lógica e classifica os sentidos e experiências humanas. O que a torna única é a base espiritual e beatífica do Atma que estabelece uma translógica, uma compreensão além da razão pura e simples. Para o hinduísmo a raiz de todo sofrimento está na ignorância da existência do Atma e conseqüente identificação com o corpo, e com a personalidade, o eu transitório. Desde sempre a busca da conexão com esse Eu Divino é o grande desafio e a base da ética e da vida espiritual. A Religião, a filosofia e a mitologia interligadas se convertem em instrumentos que os mestres utilizam para transmitir, renovar e reintegrar o conhecimento ancestral. A ética e seus valores se estruturam no sagrado e alicerçam a civilização indiana, e o hinduismo a revela e exemplifica.


AS QUATRO ETAPAS DA VIDA

A primeira etapa - ARTHA

Artha se refere à sobrevivência e aos bens materiais. Artha numa tradução literal significa "coisa, objeto, substância", tudo o que possa ser possuído e perdido, e também o que seja necessário para suprir as exigências da sobrevivência. Os meios, objetos e métodos que sejam necessários para a realização dos desejos e necessidades humanas devem ser virtuosos. Artha compreende uma ética nas relações humanas, no comercio, na economia, na política e na obtenção de riquezas e prosperidade. A criatividade, a iniciativa, o dever e senso de oportunidade fazem parte do artha. Tudo o que provoque prazer aos sentidos, como jóias, obras de arte, fragrâncias, texturas agradáveis ao tato, sabores e a beleza das criaturas humanas e da natureza de modo geral, as relações sexuais e a moradia confortável faz parte do artha. Também trata-se de realizar virtuosamente as obrigações mundanas e os deveres espirituais. Kautilya, chanceler do imperador Chandragupta no século IV AC, escreveu uma tratado chamado Arthashastra que ensina como governar e promover harmonia, e também como administrar e conseguir a abundância na economia. Ensina quais os valores que devem orientar as relações diplomáticas, e as leis e normas de guerra. Kautilya também indica uma geometria política baseada na mandala. O sistema da mandala fundamenta as alianças e coligações, como lidar com os conflitos e aceitar o diferente, e ensina até a formação dos exércitos. Para o artha é possível ser próspero sem ferir os demais, seguir a própria consciência, e preservar a natureza. A base da sobrevivência é a transcendência.

A segunda etapa - KAMA

Kama é o prazer. Na mitologia hindu Kama é o deus do amor sensual, como o Cupido grego, ele tem arco e flechas. O arco de Kama é feito de flores entrelaçadas e na ponta das flechas estão cinco brotos de flores perfumadas, os cinco sentidos. O deus do amor tem quatro instrumentos para subjugar suas vitimas. O arco, as flechas, o laço e o gancho. Com esses instrumentos ele confunde, entorpece, paralisa e aprisiona. No reino de Kama homens e animais vivem enfeitiçados pelos apelos dos sentidos e são como marionetes nas mãos dos desejos e prazeres. Por outro lado, Kama tem o poder de manifestar o não manifesto, ele se renova renovando a natureza pela procriação das plantas, animais e seres humanos. Os encantamentos do amor têm um propósito sagrado e assim são compreendidos. No Atharva-Veda alguns encantamentos são descritos e indicados para preservação da alegria na vida familiar e a geração de filhos sadios e partos sem sofrimento. O canto, a dança, a poesia e a arte dramática fazem parte do jogo amoroso proposto pelo deus Kama. Nessa etapa é importante dar início ao processo de assenhoramento das emoções e desenvolver o controle dos desejos. Não se trata de negar emoções nem condenar desejos, mas de desenvolver discernimento, contentamento, sensibilidade, sutileza e comedimento.

A terceira etapa - DHARMA

Essa é a etapa que envolve a razão de viver e contêm a abrangência dos deveres religiosos, éticos e morais. Dharma na mitologia é um deus de caráter abstrato que tudo sustenta e rege. O Dharmashastra e o Dharmasutra são os principais textos sobre esta etapa da vida. Os Livros da Lei são atribuídos a sábios e santos e o primeiro código de ética dos hindus é baseado na Lei de Manu, um antepassado mítico do homem. Na Lei de Manu estão definidos os deveres e direitos dos indivíduos para terem uma vida digna e um desenvolvimento espiritual adequado visando à formação de uma sociedade ideal. As leis e valores teriam sido ditadas pelo próprio Criador e o tratado foi escrito no século V AC. O sistema de castas é uma distorção perversa desse modelo social ideal. Na sociedade ideal os "brâmanes", sacerdotes, sábios e os mestres são os mais homenageados porque seriam os representantes da vontade do Inominável, os depositários do conhecimento revelado e os visionários que indicariam as rotas e objetivos. "Kshatrya" o governante, o rei guerreiro, responsável pela manutenção do dharma, guardião dos valores éticos e administrador da ordem e prosperidade social. "Vashya" a casta dos agricultores e mercadores que fornecem o necessário para o abastecimento e a circulação saudável da economia. Os "shudras"são a mão-de-obra braçal, os trabalhadores que prestam serviço e oferecem o esforço físico. Nessa sociedade ideal ninguém seria inferior a ninguém, todos seriam igualmente importantes para o funcionamento perfeito da vida em comunidade. O importante é que cada classe seria formada de acordo com os talentos e aptidões de cada indivíduo. A distorção desse sistema gerou dominação, injustiça, exclusão, pobreza e concentração de renda impiedosa. Os excluídos eram os parias, considerados impuros. Mahatma Gandhi os acolheu e pregou a inclusão na sociedade desse segmento social, pois era uma nódoa que negava os princípios básicos do hinduismo. Dharma não se refere apenas as leis e costumes ou mérito moral e religioso, mas ao caráter e a essência espiritual dos indivíduos.

A quarta etapa - MOKSHA

É a etapa da liberação espiritual. As três metas anteriores se referem aos deveres mundanos e cada uma tem sua literatura indicativa de conduta. A palavra moksha é derivada de "muc"; desatar, liberar, soltar, abandonar. É a meta da renúncia, do descanso, do afastamento das atribulações, desejos e tarefas mundanas. Moksha é o esteio da disciplina e da escala de valores hindus. Não significa que a Índia moderna pregue e pratique o abandono da família e da vida em sociedade para viver a reclusão dentro de uma caverna na floresta. Essa é a etapa da vida humana quando os deveres como pais e mães e exemplo de valores para filhos e comunidade continuam, mas a atenção volta-se para a grande tarefa: a autorealização. Para o hinduísmo, o ser humano atravessa a fase de estudante, aquele que deve ser ensinado, e precisa honrar, servir e acompanhar o seu mestre. A segunda fase é de pai e mãe de família educando, sustentando e orientando os filhos nos valores culturais, éticos e espirituais para poder oferecer pessoas dignas e úteis à sociedade. A terceira fase é a da reflexão e meditação sobre o sentido da aventura humana sobre o planeta. Nenhuma dessas etapas é considerada superior à outra e a cada etapa competem deveres e direitos. Também, existe a opção do renunciante e errante cuja sobrevivência depende da boa vontade alheia. Moksha é a transcendência dos sentidos para atingir o conhecimento atemporal que permanece adormecido no sonho, "maya", ilusão. O objetivo principal da filosofia hindu é moksha. A liberação pode ser atingida pelo culto a Deus, pelo trabalho visando o bem do mundo ou retirando-se do mundo em monastérios ou cavernas nas montanhas para viver em contemplação.


OS QUATRO CAMINHOS PARA DEUS

O hinduismo tem orientações muito específicas para o desenvolvimento do potencial humano e a realização espiritual. Essas orientações se denominam yoga. Yoga quer dizer caminho, unir, integrar. Integrar todos os níveis da personalidade e redimir a matéria pelo espírito e o espírito pela matéria. A escolha de um dos quatro caminhos equivale à escolha de um transporte para chegar ao mesmo destino. Segundo o hinduismo existem quatro caminhos e quatro tipos de personalidade espiritual: a personalidade reflexiva e indagadora, a personalidade emotiva e introspectiva, a personalidade essencialmente ativa e realizadora e a personalidade que procura a experimentação. Isso não quer dizer que essas personalidades estejam divididas em compartimentos estanques, na realidade a maioria dos seres humanos tem características das quatro tipologias, porém a escolha do caminho será feita de acordo com a característica dominante em cada indivíduo. Todos os quatro caminhos têm como premissa purificar o eu superficial, o ego, para possibilitar o acesso ao Eu Superior.

O CAMINHO DO CONHECIMENTO
(JÑANA YOGA)

O caminho do conhecimento é chamado jñana yoga - é o caminho que busca a unidade com o divino pela via do conhecimento. Não se trata do conhecimento livresco e factual. Na verdade consiste na busca da conexão entre o intelecto e o coração, visando a iluminação do intelecto, a revelação transformadora. Pela jñana yoga o praticante procura desvelar as forças secretas da existência e dos impulsos internos vitais, orgânicos e psíquicos para viver a Verdade. O objetivo máximo daquele que escolheu o caminho do conhecimento é a sabedoria, a liberação em vida do engano, da ilusão, o "jñana mukta", é aquele que vive livre. Essa liberdade é conquistada pela transformação interior, pelo desapego e a descoberta de que a ilusão nasce de si mesma. Embora submetido às leis do tempo, espaço e causalidade o praticante se empenha em ir além delas, das artimanhas de "maya", a substância que tece a existência finita. As práticas se baseiam na renúncia aos frutos do trabalho e aos gozos da vida material. Para tal, a estabilidade da mente é fundamental. A mente tranqüila não conhece angústias nem queixas, não sofre vacilações internas ou externas e é guiada pela vontade e não pelos desejos. O sábio é imperturbável, vive a equanimidade, nem o sucesso nem o fracasso o afetam e está livre de preferências e aversões. O caminho do conhecimento é o Eu Universal que é "Sat-Chit-Ananda" -Existência-Conhecimento-Bem-aventurança.

O CAMINHO DA AÇÃO
(KARMA YOGA)

O seguidor desse caminho é alguém que trabalha e atua na vida por e através do amor sem se aprisionar a elogios ou criticas nem a vitórias ou derrotas. É alguém que age em nome do Bem sem pedir nem esperar nada em troca. O trabalho é a base da sobrevivência humana e o impulso de trabalhar e produzir não se enraíza apenas na necessidade econômica, a auto-estima e o equilíbrio emocional se nutrem da criatividade e da atividade. Karma yoga é o caminho do serviço a Deus e aos homens que reconhece a espiritualidade como sustentação e inspiração de todas as atividades produtivas na vida. O trabalho dedicado a Deus é uma forma de oração, e a subsistência ganha pelo trabalho executado é uma oferenda que sacraliza a vida. O auxilio material e espiritual aos semelhantes é uma escolha do karma-yogui para a auto-realização. No caminho da ação, a não-resistência e a não-violência são as mais elevadas demonstrações de poder, e a não adesão ao mal leva o ser humano a manifestar esse poder. A eliminação do mal começa dentro de cada um e depois, na atuação dentro da comunidade. Qualquer ação que fira a consciência nos afasta de Deus, e por isso é uma ação que transgride o dharma, a Lei Maior. Qualquer ação que alegre o coração e a alma enobrece o intelecto e o caráter, e é universalmente aceita como um serviço ao Bem, a Deus. O dever nem sempre é fácil de ser praticado. O dever sem amor é um fardo pesado, somente quando unimos o amor ao dever tornamos o fardo leve e nos libertamos do jugo da obrigação. O karma-yogui se purifica através da prática do serviço altruísta servindo a vida. A purificação acontece através de cada pensamento generoso, de cada palavra de afeto e bondade, e de cada ação compassiva.

O CAMINHO DA DEVOÇÃO
(BAKTHI YOGA)

Esse é o caminho do constante e incondicional amor por Deus. Não o amor que busca compensações, mas o amor que se compraz e se intensifica só em pensar em Deus e agir em Seu Nome e a Seu serviço. Segundo esse caminho todo espírito nasce para se aperfeiçoar e somos hoje o resultado do que fomos no passado e seremos no futuro o que pensamos, sentimos e fazemos no presente. No caminho da devoção o impulso legítimo que mobiliza o coração do devoto (bhakta), não nasce dos livros lidos, nem do apego a determinada religião ou seita, mas do anseio profundo pela experiência de Deus, a fusão com o divino. O mestre (guru) exerce um papel preponderante no desenvolvimento espiritual do bhakti-iogui, assim como nos outros três caminhos. O mestre desperta e ativa os poderes da alma do aspirante espiritual O verdadeiro aspirante espiritual demonstrará ao seu mestre pureza de intenção, vontade de saber, de buscar sabedoria e experiência com perseverança, obediência irrestrita, anseio de servir e vontade inquebrantável. O mestre por sua vez ensina como detentor do conhecimento revelado que é, a mais elevada sabedoria, sem se preocupar em demonstrar erudição nessa ou naquela filosofia. O verdadeiro mestre faz da sua vida seu ensinamento. No caminho da devoção a pureza é disciplina básica. A pureza interna e externa implica praticar os rituais correspondentes assim como "namasmarana", a repetição constante do Nome de Deus. Praticar os valores humanos cotidianamente, aprender a selecionar os pensamentos e emoções e perdoar ofensas e injúrias sofridas. Para e por isso a mente deve ser disciplinada e clarificada pela meditação e constante auto-indagação. A Bhakti-yoga implica renúncia ao confronto de modo geral, e a concentração no que existe de eterno em tudo e em todos, no que vibra atrai e confere sentido a existência, Deus.

O CAMINHO DA CONTEMPLAÇÃO
(DHYANA) RAJA-YOGA

Este é o caminho que oferece auto-realização pelo domínio da mente através de exercícios psicofísicos. As pessoas que sentem uma forte inclinação científica se sentem atraídas pela raja-yoga. Esse caminho acredita que a concentração da mente é a fonte de todo o conhecimento e a meta principal é a fusão do espírito com Deus pelo conhecimento e pratica de todas as possibilidades de expansão da mente. A raja-yoga ensina como tornar a mente submissa à vontade livrando de desejos e armadilhas ilusórias pela percepção da pequenez do ego, o eu superficial, que compreende apenas uma parcela pequena da consciência. O subconsciente e o inconsciente abrangem uma vasta área de percepção e acima deles está o plano superconsciente que é o depositário da comunhão com a totalidade. Pelas praticas espirituais constantes o adepto vai removendo as camadas que envolvem a mente nos véus de "maya", e conquista uma nova qualidade de ver, compreender e sentir. Adquire poderes psíquicos que devem ser aceitos como aquisições naturais durante o processo de busca da iluminação e não podem ser utilizados para benefícios pessoais e exibição de vaidade. O praticante de raja-yoga deve obedecer basicamente a três mandamentos. Primeiro: renunciar a tudo que o afaste da meta, principalmente os prazeres mundanos. Segundo: Ter como prioridade máxima conhecer a Verdade, realizar Deus. Terceiro: Ter a mente constantemente focada na Verdade, evitar superstições e sortilégios, também superar emoções destrutivas que o afastam da sua real natureza divina. A raja-yoga acredita que a mente é composta de inúmeros e fragmentados filamentos luminosos que quando reunidos pela concentração no divino levam a iluminação. O "samadhi", estado de superconsciência, é o objetivo das práticas, e para atingir esse estado diferenciado o aspirante trabalha a respiração, a consciência do corpo, a concentração em cada parte do corpo, a concentração da mente em um só ponto e por fim "dhyana" a meditação contemplativa. O "samadhi" é o ponto mais alto da meditação, é o estado de contemplação e união com o todo; a sublime comunhão universal com a essência da vida, a experiência do Princípio Primordial, Deus.

Os quatro caminhos se complementam. Jñana e bhakti caminham juntas como as asas de um pássaro, karma yoga as fortalece e dhyana yoga as justifica. O conhecimento sem devoção é estéril e pode levar a arrogância e fortalecimento da ilusão que alimenta o ego personalidade. A devoção sem conhecimento pode conduzir a intolerância, a pretensão e ao fanatismo cego. Sem o conhecimento a devoção pode levar a pratica de rituais vazios visando esse ou aquele beneficio, estabelecendo uma relação formal com o divino e dificultando a entrega verdadeira. O serviço amoroso cria o olhar de ultrapassam que estabelece a ponte entre os corações. A meditação é fundamental para o autoconhecimento, a disciplina e expansão da mente.

OS OBSTÁCULOS
(KLÉSA)

Klésa abrange as dificuldades que os seres humanos têm que enfrentar para conseguir ser feliz e autorealizado. Para o hinduismo, nossa natureza essencial é a perfeição e para atingirmos esse estado de perfeição temos que remover hábitos incorretos, padrões de crenças impostos de fora para dentro e emoções destrutivas. Maus hábitos e emoções destrutivas estão interligados e ambos nos remetem ao nível dos animais e nos fazem sofrer e causar danos às pessoas e a natureza. Esses impedimentos são: "Avidya": ignorância. "Asmita": a identificação com o ego personalidade como fundamento do ser. "Raga": preferências, e apegos de todo tipo. "Dvesha": aversões de todo tipo. O que tortura a mente humana é a prisão da dualidade e a submissão às escolhas dentre os pares de opostos. "Abhinivésa" - é a idéia de que a vida material e as fruições dos sentidos não terminam. Tudo isso faz parte do jogo natural dos "guna", qualidades inerentes à manifestação da matéria. Esses "gunas" são três. Tamas- a inércia. Essa é a qualidade onde a rudeza, a ignorância, a insensibilidade, a estupidez e a crueldade se baseiam. Rajas- as paixões, o movimento, os impulsos. Nossos desejos, e necessidade de usufruir os prazeres do mundo, a competição e a rivalidade se enraízam nesse "guna". Satwa- é a qualidade da pureza, bondade, altruísmo e equanimidade. Satwa limpa a natureza humana dos condicionamentos de tamas e rajas para a conquista da iluminação e liberação dos pares de opostos, "nirdvandva". Todos os seres têm esses gunas e suas manifestações em menor ou maior grau de intensidade, assim como esses "klésa", impedimentos. Isso se revela no temperamento e caráter adquiridos em e de vidas passadas, "vássanas", (sementes de outras vidas) que precisam ser buriladas e superadas. Os exercícios espirituais servem de detergentes para limpar essas impurezas; dentre eles os principais são a meditação, a auto-indagação e auto-observação. A meta é a coerência em pensamentos, sentimentos, palavras e ações.


O ANTAKARANA

Antakarana é a denominação de um órgão interno, oculto e energético que todo ser humano abriga e que ativa as conexões entre a personalidade, a alma e a essência divina. Essa unidade forma uma tríade sagrada. Segundo o hinduísmo o antakarana é tecido pelo próprio discípulo vida após vida e é constituído pelas qualidades vitais, intelectuais e espirituais de cada ser humano. A construção do antakarana tem início com as disciplinas espirituais que preparam a consciência para receber orientações intuitivas, e inspirações que capacitam o indivíduo para sua missão no mundo.Terminada a construção do antakarana, a personalidade, ou ego operacional, torna-se um instrumento a serviço da alma. A primeira etapa da construção do antakarana é integrar o corpo físico ao corpo vibracional pela meditação. A anatomia sutil e energética é composta pelo sistema de "chakras" (centros de recepção, transformação e emissão de energia). É quando tem início a disciplina do corpo dos desejos e começa o uso adequado da energia vital. A segunda etapa é a conexão do intelecto e da mente com a alma. A partir daí tem início o processo de percepção do que é transitório e do que é permanente. Então, o sofrimento é amenizado porque o discípulo constata na mente e no coração que os problemas e emoções são circunstanciais e impermanentes. Compreende que somente o espírito é real e permanente. Na terceira etapa vem a superação do medo da vida e da morte. A educação espiritual para os hindus é o fundamental e tem como propósito ensinar a construção do antakarana objetivando o desenvolvimento do potencial humano e espiritual. A educação formal propõe uma ética enraizada em princípios espirituais. O antakarana é a conexão do espírito com o mundo, do humano com o divino. A meta é conquistar excelência humana atingindo a plenitude do humano para que o divino se revele.

PRINCIPAIS FESTIVAIS

Mahashiwarathri - A grande noite de Shiwa. O Shiwarathri acontece na quarta noite da metade escura da lua mensalmente. Durante rodo o ano essa noite é dedicada a transformação da mente inquieta e cheia de desejos em mente pura e equânime para que possa ser uma aliada e não um obstáculo para a autorealização. O Mahashiwarathri é a noite em que Shiwa toma a forma do Lingam. A palavra linga deriva da raiz sânscrita "li" que significa "liyathe", unir-se. Assumindo esta forma Shiwa unifica todas as formas de vida e as funde com o universo.

Guru Pournima - É o festival dedicado ao mestre que paira alem dos atributos da matéria porque obteve a experiência do divino. O mestre é quem mostra o caminho e como caminhar em direção da liberação dos condicionamentos e elevação espiritual. Nessa ocasião o mestre é louvado como exemplo a ser seguido para atingir a autorealização.

Navarathri - O aspecto feminino de Deus é muito venerado na Índia, a Mãe Divina em seus diversos aspectos tem função relevante no hinduismo. A deusa se manifesta de várias maneiras. Como Durga é a força primordial que vence as perversões, os defeitos e as más tendências. Como Saraswathi á força que outorga sabedoria, o poder da palavra, as artes e a inteligência. Como Lakshimi é a força que promove a Harmonia, a Beleza, a Prosperidade e o Amor. Esses três aspectos são louvados nesse festival que dura 9 noites. Mãe Durga em especial se manifesta nessa ocasião destruindo os inimigos do homem que são: Kama - Luxuria. Krodha- rancor, ódio. Lobha - ganância. Moha - apego. Mada- orgulho, soberba. Matsarya - inveja, malícia.

Vinayaka Chaturthi - Nessa ocasião o aspecto de Deus adorado é Ganesha. Esse é o aspecto do divino que confere a manifestação da consciência cósmica pela inspiração. Ganesha abrilhanta a inteligência pelo discernimento. É o senhor dos obstáculos por isso deve ser louvado antes de ter início qualquer "puja", ritual de adoração. Ganesha nessa noite é louvado especialmente para que destrua os obstáculos materiais e espirituais que impedem a conquista da autorealização. Ganesha propicia realizações matérias e espirituais.

Dassara- Festival dedicado a Mãe Durga, o Princípio Feminino Cósmico. Comemora-se a vitória de Durga sobre o demônio Mahisha, a encarnação do mal. Nessa ocasião a divina Mãe derrama sua energia amorosa, sua doçura, ternura e firmeza sobre seus filhos. Também abençoa a humanidade com o perdão, a compaixão, a generosidade e a fraternidade. Nesse festival há vasta distribuição de comidas e roupas aos mais pobres.

Makara Sankrantihi - Celebração do solstício de verão. O ocaso solar de Surya, deus do sol que se encaminha do sul para o norte. Os devotos enfeitam com flores e bandeirolas uma carruagem e grupos de homens a puxam ao som de instrumentos de sopro e percussão. As casas devem ser limpas e yantras (mandalas) devem ser desenhados na porta de entrada. As mandalas são feitas com giz colorido e no centro delas é colocado um pouco de estrume de vaca seco, com uma flor amarela em cima. O estrume simboliza a generosidade da vaca, pois dela tudo se aproveita. Ela dá o leite que alimenta e com seu estrume dá o adubo que fortalece a terra para a semeadura e colheita. Além disso, a vaca tem a graça de ter Krishna como pastor. Nesse festival as famílias se reúnem, comem e oferecem aos amigos arroz doce como símbolo de pureza e abundância.

Dipavali ou Divali - É o festival da Luz. Mãe Lakshimi desce a Terra para trazer luz, amor, harmonia e prosperidade. As pessoas apagam as luzes de suas casas e acendem lamparinas. Na casa onde uma lamparina estiver acesa, a Mãe Divina entrará e abençoará os moradores. É um festival para lembrar aos homens e mulheres que são portadores da chama divina em seus corações e que devem mantê-la sempre viva e alimentada pelo amor de Deus. Assim como uma só lamparina acesa pode acender inúmeras outras sem perder o brilho, quanto mais doarmos amor, mais amor teremos.

DOS FENÔMENOS NATURAIS AOS DEUSES HUMANOS
OS VEDAS

Apesar dos princípios do hinduísmo serem atemporais, existiu sem dúvida, um desenrolar no tempo que resultou na pluralidade religiosa e mitológica atual. Nos primórdios as forças naturais eram veneradas como provenientes de forças divinas, e não tinham nenhuma associação com atitudes humanas. Com a invasão indo-ariana, a forças naturais foram assumindo formas humanas e os deuses, transformaram-se em seres humanos, e se revelaram. Datam dessa época os Vedas, textos sagrados sobre assuntos de toda natureza, e que foram escritos entre os anos 1200 a 400 AC. A transmissão por tradição oral não tem tempo determinado. A principal motivação da filosofia védica, desde os mais remotos hinos filosóficos e devocionais (Rig Veda) permanece sem alterações, trata-se da busca de uma unidade básica que fundamente a multiplicidade. A tradição védica acredita no não dualismo transcendental, e todas as oposições como corpo e espírito, deus e o mundo devem ser consideradas meramente fenomênicas. Os Vedas são subdivididos em três partes: os Samhitas, cânticos de louvor exaltando os deuses (Rig Veda), acompanhados de melodias e fórmulas mágicas (Sama Veda), e fórmulas sacrificiais, ritualísticas e curativas (Yayur-Veda); Brahmanas, (Atharva Veda) textos que instruem também sobre sacrifícios e rituais, seus significados e como devem ser executados pelos sacerdotes.
As Upanishads são tratados místicos e filosóficos sobre a natureza da Suprema Realidade.
Os textos são classificados como "shruts" e "smrits". Shruts são inspirados e revelados pelo divino e smrits são transmitidos através de parábolas e ensinamentos pelos mestres. Essa cultura foi sendo substituída pela idéia de Brahaman, o Supremo e o Atma, a manifestação desse Princípio , o Eu Superior imperecível. Foi quando surgiram os grandes épicos (600 AC), Ramayana e Mahabharata, que contem a Baghavad Gita, a essência do pensamento de Krishna. Nesses textos os princípios e valores éticos são exaltados e as narrativas falam do ser humano prisioneiro entre o bem e o mal, e de deuses que assumem forma humana e homens que se deparam com seu próprio aspecto divino. Daí surgem a construção de arquitetônica de templos e a adoração a divindade em inúmeros aspectos. Os Puranas, narrativas sobre a vida dos deuses, suas famílias, descendentes e de como os deuses e deusas querem ser adorados, datam desse período. Nos Puranas, Brahaman se apresenta como a Trimurthi. Brahma - a energia criadora de Deus. Vishnu- energia divina mantenedora da vida. Shiwa - energia transformadora, e destruidora de Deus. Embora o hinduismo possa parecer panteísta, em essência está centralizado no Uno, a Única Verdade Divina. Os deuses são os diferentes aspectos e múltiplas faces dessa Unidade.

OS DEUSES VÉDICOS

Projapati, o Criador, é chamado o Pai de todos os Deuses, embora em alguns textos védicos seja esse o titulo dado a Indra. Entretanto, Dyaus (Céu) e Prithivi (Terra), são os deuses mais antigos e considerados pais de todos os deuses. Agni - é o deus do fogo sacrificial. Surya também chamado Savita, o deus sol. Indra é o deus dos elementos da natureza. Soma, o deus do êxtase, que produz e oferece o seu néctar "amrita", o alimento dos deuses. Também ocupa o posto de deus da lua Chandra. Varuna - pai de Soma, e senhor da ordem cósmica. Vayu- o deus do vento. Yama - deus árbitro da morte. Vishvakarma - criador do universo e de tudo de existe e protetor de todas as coisas vivas. Kubera- o senhor da riqueza e dos "yakshas, que são os vigias dos tesouros terrestres.

DEUSES PURÂNICOS

Nas Upanishads, Brahman é a Divina Essência de onde tudo provém e para onde tudo retornará. Como não possui nenhuma forma embora esteja presente em todas as coisas se apresenta como Brahma, o Criador. Na cosmologia hinduísta Brahaman criou a Terra e as águas e nessas águas semeou um ovo de ouro, Hiranyagarba. Desse ovo de ouro brota a energia da criação e todas as criaturas. O tempo da criação é contado como dias e anos de Brahma. O despertar de Brahma criou o universo e tudo que ele contém, quando ele fecha os olhos o universo chega ao fim, é reabsorvido nele. Cada dia na vida de Brahma chama-se Kalpa e dura 4.320.000 anos humanos. Um ano equivale a 360 desses dias e dessas noites. A vida de Brahma compreende 100 desses anos... O tempo é cíclico e a vida evolui em ciclos denominados "Yugas" (Eras). As eras são quatro: Sathya Yuga. Treta Yuga. Dwapara Yuga. Kali Yuga. Brahma tem quatro faces que representam os 4 Vedas, o que revela a assimilação de mitologias. Saraswati - o aspecto feminino de Brahma, é a deusa da sabedoria, das artes e da oratória.
Vishnu- O Ser Supremo depois de criar Brahma do seu lado esquerdo, gerou Vishnu de seu lado direito, como conservador da sua criação. Vishnu dorme e sonha deitado na serpente Sesha (a eternidade) flutuando no oceano cósmico; aos seus pés está seu aspecto feminino Lakshmi a deusa da beleza, do amor, da harmonia e da prosperidade, que massageia seus pés para que ele continue dormindo e sonhando o sonho da manifestação e a vida continue.
Shiwa- foi criado do centro de Brahman como a energia transformadora e destruidora de Brahman. A dança cósmica de Shiwa chama-se "tandava", simboliza o eterno movimento de criação, manutenção e recriação do universo. Shiwa é adorado também na forma do "linga", o linga repousando na yoni simboliza a fusão dos opostos, do ativo e do passivo, do masculino e do feminino. O universo e a natureza em eterna conjunção amorosa. Ardhanarishvara é uma das formas de Shiwa, e sintetiza essa união interior do masculino com o feminino, nela o deus é representado por uma figura metade homem e metade mulher, Shiwa e Shakti. São inúmeros os aspectos de Shiwa e seus aspectos-extensões femininos são expressões da Shakti, o Principio Feminino que gera materializa e movimenta a vida.
Ganesha- é adorado igualmente por hinduístas, budistas e jainistas, é filho de Parvati (um aspecto da Mãe Divina, da Shakti), foi criado por partenogênese, sem participação paterna, embora seja aceito como filho de Shiwa. Ganesha é casado com Siddhi (poderes místicos) e com Buddhi discernimento, por isso rege a inteligência, o conhecimento e a educação, sendo também o deus que abre os caminhos e vence os obstáculos interiores e exteriores.
Skanda- também chamado Murugan, Kartikeya e Subramanyam. Filho de Shiwa por paternogênese, sem participação materna foi alimentado e cuidado pelas Plêiades (kartikas) que lhe deram o nome de Kartikeya, o filho das Plêiades, é o guardião da sabedoria e um guerreiro invencível.
Kama - o deus do amor sensorial, também chamado Yaksha, o espírito renovador da natureza e da vida animal e humana.
Hanuman- é um deus purânico, que simboliza o devoto perfeito. Metade homem, metade macaco. No Ramayana ele liberta Sita, esposa de Rama e pede como recompensa estar sempre aos pés do avatar Rama, vivendo a seu serviço.
Mahadevi- A Deusa Mãe sempre foi adorada na Índia desde tempos imemoriais. Depois da invasão ariana as deusas se apresentam como esposas dos deuses e desempenham o papel que esposas desempenham na sociedade. Porém, na raiz da fé popular indiana, a Deusa Mãe, a força matriz e motriz da criação, tem inúmeros seguidores até hoje. Nos Puranas, o principio feminino, Devi, ocupa um lugar de grande importância. São inúmeras as manifestações da Deusa como força independente e, sobretudo é ela vista como o poder ativo de Shiwa.

ASPECTOS DA GRANDE MÃE

Amba- a Mãe do mundo, data do período pré-védico. A grande nutriz da criação.
Brahmani- um aspecto feminino de Brahma assim como Saraswati.
Maheshvari- um aspecto feminino de Shiwa.
Kaumari- representa o aspecto feminino de Skanda.
Chamundi- é ligada ao deus Yama, o senhor da morte e do dharma.
Durga- no período pré-védico era adorada como as forças da natureza, que dão a vida e a morte.Tinha como missão ser o lado ativo do Absoluto Impessoal, o aspecto feminino da grande divindade masculina. É uma deusa muito cultuada e personifica poderes que defendem a Terra e a humanidade do mal.
Kali- é a força que ativa e desativa o tempo (kala). Tudo vem dela e tudo é devorado por ela. Ela personifica a força feminina de destruição, a sabedoria divina que elimina as ilusões.
Pavarthi- a deusa do acolhimento, aceitação, compreensão e ternura. Rege a maternidade.
MahaLakshimi- é vista como a mãe original da vida, nela estão contidas todas as deusas e qualquer outra representação da deusa é vista como uma representação originária de Lakshimi.
Ganga- A deusa que é representada pelo Rio Ganges, e que nasce dos céus e é amparada pelos cabelos de Shiwa e deles escorre e toma a forma do Rio Ganges.
Sita- uma encarnação da deusa que desposou o avatar Rama.
Radha- a pastora que se une a Krishna em eterna e platônica adoração.

OS AVATARES - ENCARNAÇÕES DE VISHNU

As encarnações de Vishnu são dez. Dentre eles estão avatares que já encarnaram e outros que deverão encarnar em períodos sucessivos. Alem dessas contam-se 14 encarnações secundárias.

Matsya- a primeira encarnação metade homem, metade peixe. Ele incumbe Manu de construir um barco, pois um dilúvio iria inundar a Terra. Quando o dilúvio ocorreu Matsya conduziu o barco com um casal de cada espécie, Ele também salvou os Vedas das mãos do demônio Hayagriva evitando o mau uso do conhecimento.
Kurma- metade homem metade tartaruga, é a segunda encarnação. Quando deuses e demônios se enfrentaram Vishnu mandou que batessem o oceano de leite até virar manteiga, de modo que amrita ficasse acumulado na tona e os deuses pudessem beber e ganhar a batalha. O monte Mandara foi usado como batedeira e Kurma sustentou a montanha em seu casco.
Varaha- terceira encarnação é metade homem metade javali. Reza a mitologia que durante o dilúvio a deusa da Terra, Prithivi foi raptada por um demônio que a escondeu no fundo no oceano. Varaha libertou a deusa trazendo-a para a superfície e ajudou-a a refazer a natureza e abrigar todas as criaturas, criando montanhas e continentes.
Narasimha - A quarta encarnação. Metade homem, metade leão. Hiranyakasipu era um ser muito pretensioso e soberbo que contava com a proteção de Brahma e por isso não poderia ser ferido por arma, homem ou animal, nem dentro nem fora de casa. Cheio de si, o homem começou a atormentar os deuses. Narasimha o derrotou e libertou os deuses do tormento.
Vamana- a quinta encarnação, é a primeira com forma humana, embora se apresente como um anão. Vishnu se disfarça em anão e liberta os deuses que estavam sofrendo no exílio por ordem de Bali rei neto de Hiranyakashipu. O anão solicita ao rei um terreno que medisse apenas três de suas passadas, para que pudesse ali meditar. Bali cedeu o terreno e imediatamente o anão se transformou num gigante que cercou o céu, com uma passada, com a segunda, a Terra, e quando ia cercar o interior da Terra o rei pediu auxilio a Vishnu e o avatar dirigiu-se aos mundos interiores.
Parashurama- sexta encarnação. Ele era um jovem sacerdote justo e sábio que liderou a batalha entre os brâmanes e xátrias saindo vencedor, é o guerreiro portador do machado.
Rama- sétima encarnação. É o herói do épico Ramayana, simboliza a incorruptibilidade, o dever, a lealdade e a aceitação. É a encarnação do dharma. Também chamado Ramachandra.
Krishna- oitava encarnação de Vishnu. O Bhagavatha Purana narra a vida de Krishna que veio a Terra para libertá-la da tirania de Kansa e separar o bem do mal, e os bons dos maus. Foi o condutor da carruagem de Arjuna na batalha de Kurukshetra e o mentor da vitória dos Pandavas narrada na epopéia do Mahabharatha.
Buda- é tido no hinduismo como a nona encarnação de Vishnu, o criador do caminho óctuplo. O avatar da compaixão.
Kalki- é a ultima encarnação de Vishnu que virá no fim da era de Kali, quando os valores morais e éticos desaparecerão, e o caos e o desacerto estarão generalizados. Ele restaurará o dharma e dará início a uma nova era de ouro, Sathya Yuga, recomeçando o ciclo das eras.

Este é um resumo modesto do universo mítico, filosófico e religioso do hinduismo. Espero que possa servir aqueles que buscam saber e sentir no coração um pouco mais sobre essa tradição de sabedoria milenar.

OM SRI SAI RAM
Com amor
Marilu Martinelli


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