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  Homero Santos
Educação para a Sustentabilidade

Homero Santos
Diretor da Fractalis -Renovação Empresarial
Consultor em Sustentabilidade Empresarial e Responsabilidade Corporativa

O conceito de desenvolvimento de sustentável estabelece um novo modo de pensar e agir em relação aos recursos naturais do planeta e ao futuro da espécie humana. Na verdade, traz embutida a proposta de um novo modelo de civilização centrado na reorganização dos processos de produção e na revisão das prioridades de consumo da sociedade, buscando assegurar a sustentabilidade da vida. Uma nova utopia, desafiadora utopia.
A Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, firmada por 178 países na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, conhecida como Rio-92, registra que os padrões então vigentes de produção e consumo não eram capazes de assegurar qualidade de vida. De lá para cá, essa perspectiva se agravou. Estamos no presente exigindo do planeta Terra mais do que aquilo com que ele pode corresponder, consumindo recursos e gerando resíduos acima de sua capacidade de auto-regeneração.
Na origem desse comprometimento está a postura que nos tem guiado na interação com a Natureza. As gerações precedentes, desde a pré-história, têm mantido uma relação utilitária e, amiúde, predatória com o meio ambiente. Válida nos primórdios como meta de sobrevivência da espécie, essa postura estabeleceu-se como sinal de afirmação da capacidade humana; no mundo globalizado, foi incorporada e reforçada pelo modelo econômico. Sem dúvida, necessitamos de uma nova ética que redefina essas relações.

A ética como fundamento
A Ética do Cuidar pode ser a chave para um novo posicionamento em relação ao futuro da espécie humana. Nasce da percepção da interdependência entre as várias formas de vida, elege a preservação da vida como um valor máximo e propugna, como seu sustentáculo, a prática de virtudes cardinais, como o amor e o respeito aos outros e a si mesmo, a compaixão e a cooperação.
Segundo Boff , vida pressupõe trabalho - processos bioquímicos e interações entre espécies e indivíduos -, e cuidado - a manutenção equilibrada desses processos. Pelo exercício do cuidado, despertamos para o caráter sagrado da tessitura da vida. Ao descuidarmos da Natureza estaremos negligenciando a nós próprios, nos tornando enfermos e no limite nos fadando à destruição: cuidado e cura são vocábulos irmãos.
A Ética do Cuidar transforma nossa visão, deslocando nossa relação com a Natureza de uma posição sujeito-objeto - "a Natureza é para ser usada" - para uma postura sujeito-sujeito - "fazemos parte da Natureza e nossa vida e bem-estar dependem dela" .

Nosso rastro no mundo
A Natureza, subtraída da espécie humana, é capaz de se auto-regenerar e de se reinventar, indefinidamente. Em contrapartida, a simples presença do ser humano impacta a Natureza, e o faz muito mais amplamente do que qualquer outra espécie, gerando como conseqüência a denominada pegada ecológica - que mede justamente a perturbação nos processos naturais provocada por esse impacto.
Nossa pegada ecológica tem extravasado os limites razoáveis de uso dos serviços prestados pelos ecossistemas: provisão de ar e água, oferta de recursos minerais e florestais, terras agricultáveis, pesqueiros e tantos outros. Hoje, essa sobre-utilização já onera o planeta em nível cerca de 25% acima de sua biocapacidade, ou seja, de sua capacidade de sustentar a teia da vida.
A pegada ecológica global rompeu os limites do suportável pela Terra. O ser humano corre o risco quase iminente de perecer como civilização. Já a Natureza tem dinâmicas que asseguram sua integridade no longo prazo: aliviada dos efeitos da atividade humana, se regenerará rapidamente por seus próprios mecanismos.
Postas essas premissas, educar para a sustentabilidade assume foros de primeira necessidade.

Mudando o paradigma
A concepção de um modelo educacional para a sustentabilidade envolve duas grandes dimensões, que se reforçam mutuamente: uma nova postura centrada na re-significação da Natureza, onde sobressai a Ética do Cuidar; um conhecimento ampliado da complexidade dos processos da vida e da interferência da ação humana no equilíbrio desses processos, abordado sob a óptica transdisciplinar, tida como mais apta para lidar com sistemas complexos de comportamento exponencial. Na transdisciplinaridade, como na Ética do Cuidar, o Sujeito, o Objeto e o Sagrado se fundem e "são as três facetas de uma única e mesma Realidade" , oferecendo ao ser humano a oportunidade de uma leitura adequada de realidades complexas.
O primeiro passo na aplicação desse modelo é a reconstrução da ética vigente em torno da idéia do cuidado, dentro de uma pedagogia reflexiva e vivencial. Esse processo deve ter início na escola primária, mediante a exposição das crianças ao contato com a Natureza e a estimulação da sensibilidade para a delicadeza e o lado oculto de seus processos, prosseguindo ao longo de toda a trajetória educacional até passar a integrar a essência do caráter de cada geração de educandos.
Paralelamente, e à medida do amadurecimento intelectual, a dimensão cognitiva deve entrar em cena assentando-se sobre o alicerce ético em estruturação. Nesse sentido, deve-se assegurar o aporte de conteúdos que permitam o entendimento das dinâmicas socioambientais, das variáveis culturais, políticas e econômicas que afetam a sustentabilidade, e do funcionamento dos ecossistemas. Pouco ainda sabemos de como opera a Natureza na intimidade de seus processos.

As ecovilas
A proposta educacional aqui delineada subentende um aprendizado calcado em vivências. As experiências de permacultura, usualmente conduzidas em ecovilas, são um excelente laboratório de apreensão do sentido da sustentabilidade e de contato com uma forma de convivência integrada com a Natureza.
A permacultura se caracteriza pela "utilização de métodos ecologicamente saudáveis e economicamente viáveis, que respondam as necessidades básicas sem explorar ou poluir o meio ambiente, que se tornem auto-suficientes a longo prazo" . Alinha-se plenamente com a Ética do Cuidar na medida em que assume que "tanto o habitante quanto a sua morada e também o meio ambiente em que estão inseridos fazem parte de um mesmo e único organismo vivo" - sugerindo que cuidar de si é cuidar da Natureza, na qual o ser humano se mescla como parte integrante.
O modelo das ecovilas pode inspirar o projeto de escolas para jovens e adultos em que se resgate o significado da Natureza e seu caráter determinante para um novo modelo de organização social, centrado na sustentabilidade da vida humana no planeta.

Por onde começar
É de suma importância formar os jovens dentro do novo paradigma. Entretanto, numa escala de prioridades a reeducação de adultos se apresenta igualmente relevante, posto que estes estão presentes e são influentes no berço familiar onde se consolidam os caracteres dos jovens. Além do mais, integram a frente produtiva da sociedade onde as maiores transformações estão para ser feitas - e com a máxima presteza, pois a degradação ambiental prossegue exponencialmente.
A agenda é a mesma - ética e cognitiva -, asseguradas as adaptações indispensáveis para um processo de reaprendizado que envolve desconstruir e reconstruir modelos mentais.
O fato é que necessitamos de pronto do maior contingente possível de lideranças capacitadas a conduzir a ampla mudança nos modelos econômicos e de governança que imperam, para reverter um iminente colapso já anunciado por distintos pólos de inteligência que vêm acompanhando o estado do mundo.
As empresas e as organizações da sociedade civil podem ser os grandes protagonistas desse processo. A boa nova é que, com muita esperança para quem observa, esse protagonismo tem se revelado crescente e mudanças fundadas numa nova visão estão começando a despontar.
Mas não podemos nos descuidar: o tempo urge! Priorizar a educação para a sustentabilidade da vida na Terra é despertar consciências, preparar lideranças e capacitar cidadãos em geral para a construção de uma nova utopia planetária, necessária utopia.







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