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  Márcio Passos
Relativo Ao Vedas - Parte 7

RELATIVO AOS VEDAS - 07
A VIDA NOS TEMPOS VEDICOS - VENERAÇÃO À DEUS EM TODAS AS OCASIÕES

Sai Ram amoroso e saudações de Prashanti Nilayam.
Introdução
Na palestra passada eu lhes dei uma rápida idéia de alguns dos ritos associados com o matrimônio Védico. Matrimônio, eu o lembrei, era visto então como um ato que se relacionava ao alimento do Dharma da humanidade. Nesta aventura, o marido e esposa eram zeladores solidários desse Dharma. Este é um conceito importante e nós deveríamos fazer algum esforço para absorver a sua essência. Hoje, todo esse tipo de pensamento poderia parecer irrelevante e até mesmo absurdo, mas os anciões tinham uma visão diferente da vida e da Sociedade. Sim, se a ênfase está completamente no indivíduo e a assim chamada liberdade individual permitir-lhe fazer como melhor lhe agradar, então todos esses conceitos Védicos parecerão antiquados. Por outro lado, se nós sentimos que os humanos devem estar em harmonia total com os seus ambientes, então os conceitos Védicos adquirem grande importância.
O Rig Veda canta assim para o elogio de um par harmonioso:

Marido e esposa em doce acordo,
Dão leite aos Deuses,
Imprimem e puxam o Soma.
Adquirem uma loja repleta de alimentos,
Eles vêm unidos ao altar,
Suas recompensas nunca diminuem.
Eles nunca se desviam dos Deuses,
Nem buscam esconder as graças a eles concedidas,
Assim eles adquirem grande glória.
Com os filhos e filhas ao seu lado,
Eles vivem um longo tempo,
Ambos ajaezados com ouro precioso.
Devotados ao sacrifício, enquanto juntando riquezas,
Eles servem o Imortal e honram os Deuses,
Unidos em amor mútuo.

Uma coisa infeliz que acontece hoje em dia é que a visão que a geração moderna tem dos costumes e filosofias védicas, foi amoldada pelo que aconteceu após o período Védico original. Muitas aberrações rastejaram para dentro dos costumes, mascarando as intenções originais dos videntes Védicos. Poucos perceberam que os sistemas e organizações começavam magnificamente, mas depois atrofiavam. Isto acontece sempre que as pessoas se afastam dos objetivos originais. Tal degradação aconteceu repetidamente na história, em organizações, em sistemas sociais, e em governos; e aconteceu no mundo inteiro. Porém, onde as pessoas estavam alertas, os sistemas retiveram o caráter original durante logos períodos de tempo.
Eu estou mencionando tudo isto por uma boa razão. Há uma convicção popular na Índia que os Vedas proíbem as mulheres explicitamente de fazerem muitas coisas. Isto não é verdade. Em tempos Védicos, o marido e a esposa tiveram direitos iguais. Swami às vezes narra uma história relativa ao Rei Harishchandra, para dar ênfase a isso. Eu não entrarei, entretanto em toda a história de Harishchandra, embora seja muito importante e também fascinante; meu interesse nessa história, no contexto presente, está muito limitado. Falando brevemente, você pode recordar que o Rei Harishchandra estava sendo posto à prova por umas séries de testes através do Sábio Viswamitra, para ver se realmente o Rei era adepto da Verdade. Em um incidente, o Rei é forçado a dar toda a sua propriedade ao Sábio. Quando o Rei se preparava para entregar formalmente as propriedades, o Sábio o pára e diz, "Você não pode dar isto assim. Sua esposa tem cinqüenta por cento de tudo e ela também tem que consentir." Ao que eu estou me referindo é que a família era um empreendimento conjunto e não o que ficou posteriormente, patriarcal.
Swami fala freqüentemente em vida para educação, ao invés de somente viver por viver. De certo modo, é exatamente isso que os Vedas oferecem. Os milhares e milhares de hinos suprem a todos os aspectos da vida, sempre se lembrando de Deus como o centro. A Sociedade nunca pode ser composta só de gênios; também são necessárias pessoas comuns sem elas não pode funcionar nenhuma Sociedade. E não se pode esperar que estas pessoas comuns, por sua natureza e perspectiva, entendam de alta filosofia. Eles precisam de um código de vida servindo a eles, baseado nos princípios mais altos. Assim é que há orações Védicas para todo o mundo e para toda ocasião.
Orações Védicas para a Casa
Comecemos com a casa. A busca por uma casa sempre esteve presente, desde tempos imemoriais. Em tempos Védicos, a casa era vista como uma extensão do corpo, em lugar de algo que era uma propriedade de uma pessoa em particular. Era considerado que a casa era a primeira real extensão do mundo do homem. Levar parte da casa era levar parta do mundo. Assim é que o asceta renunciava para sempre à sua casa com um gesto simbólico.
Hinos em dedicação da casa são muitos. Aqui vai uma pequena amostra dos sentimentos de uma pessoa ao ocupar a casa que ela construiu. Ela diz em prece, com a ajuda de um sacerdote:

Esta casa é fundada em adoração,
Foi projetada e construída em contemplação.
Agora você me contempla!
Eu me aproximo de você pacificamente,
Em seu interior está a água e o fogo sagrado,
Sua porta principal leva à harmonia e à sabedoria cósmicas.
Possam os imortais Indra e Agni protegerem esta casa, o domicílio de Soma.

Note que a casa não é descrita como a propriedade de quem a construiu, mas como a Casa de Soma, um dos nomes de Shiva.
A oração continua:

Eu trago aqui estas águas livres de doença, destruidoras de doença,
Nesta Casa, junto com o Fogo Imortal, eu faço meu domicílio.
Da direção oriental eu chamo uma bênção,
Para a glória desta Casa.
Agradeço aos Deuses, ao Louvável,
Para sempre e para sempre.
Da direção sul,
Da direção ocidental,
Da direção do norte,
Das profundidades,
Das alturas,
Eu chamo uma bênção,
Para a glória desta Casa,
Agradeço aos Deuses, ao Louvável,
Para sempre e para sempre.

Deus sempre é o provedor exclusivo e os videntes Védicos se certificaram que as pessoas comuns fossem continuamente lembradas disso, por várias orações cantadas em várias ocasiões.

Orações para uma vida longa
Por exemplo, esta é uma oração a Deus, para uma vida longa e feliz, a que todo o mundo aspira. Esta oração é endereçada ao aspecto Rudra, de Deus. Nós não precisamos entrar nos detalhes técnicos, mas para nosso propósito basta dizer que Rudra é sinônimo de Shiva. Segue uma seleção de hinos desta oração para Shiva:

Oh, Pai das tempestades, possam seus favores caírem sobre nós!
Não nos prive da visão do sol.
Possa o herói montado no seu corcel nos proteger.
Conceda-nos, oh Deus, que a nossa vida continue em nossos filhos.
Como eu anseio, oh Deus, pelo suave toque de sua mão, que cura e consola.
Que ameniza os castigos dos deuses,
Olhe-me com indulgência, oh Poderoso.
Como um filho saudando ao seu pai
Eu me curvo e reverencio a sua aproximação, oh Deus.
Eu O reverencio, Deus poderoso, doador de tesouros,
Conceda-nos as Suas medicinas quando nós O exaltamos.
Oh Todo Poderoso, Deus que nunca dorme,
Que está aqui atento,
Oh Deus; ouça o nosso grito.
Não para Você, O Deus, ficar bravo ou destruir!
Que nós possamos falar, como homens de valor, uma palavra forte.

Orações para uma Vida Equilibrada - O Purusharthas
Desejo é uma parte da existência, e nenhuma criatura viva está isenta disto. Um pouco de desejos é necessário, como o desejo por sobrevivência, por exemplo. Sensações de fome e de sede, de tão conectadas à vida, não são percebidas como desejos, mas sem dúvida o são, como o desejo pela progênie, pela casa, propriedade etc. As pessoas envolvidas na busca espiritual conseguem se livrar do apego aos desejos, mas o mesmo não pode se esperar das pessoas comuns, mesmo aqueles que estudaram os Vedas. Reconhecendo isto, a Sociedade Védica optou por regular os desejos ao invés de tentar elimina-los. Essa regulação dos desejos está no Purusharthas, a que Swami faz sempre referencia. Os quatro Purusharthas são: Dharma, Artha, Kama e Moksha. O seu significado é: Ação Correta, Riqueza, Desejos e Liberação.
Note que o ponto de partida é Dharma. Isto quer dizer que qualquer que seja sua ação na vida, ela deve ser baseada na Ação Correta, sem exceções. Pode se buscar a riqueza, mas dentro dos limites do Dharma, da mesma forma os desejos. E se a pessoa faz do Dharma o seu principio de vida, ela poderá então aspirar à liberação do ciclo da vida e da morte.
A constante ênfase no Dharma é notável. Estudiosos dizem que O Hinduismo não equivale ao Cristianismo, Islamismo, Judaísmo etc. A palavra Hinduismo só veio à existir por criação dos britânicos. Aquilo que foi chamado de Hinduismo, na verdade é um sistema de vida chamado Sanathana Dharma, cujo significado é, essencialmente, Infinito e Eterno Dharma.
Dentro de uma estrutura básica, Sanathana Dharma ofereceu uma flexibilidade considerável. Também é notável que enquanto a maioria das religiões teve um fundador, Sanathana Dharma não tem nenhum.
Uma Atitude Sagrada para com a Terra
A importância do alimento para a vida e existência foi reconhecida completamente, e o alimento foi venerado na idade Védica como o presente de Deus. Não somente isso. Foram santificados todos os aspectos da atividade humana associados com a produção de alimentos e foram venerados todos os agentes da Natureza que ajudam na produção de alimentos. Aqui vai uma amostra dos hinos cantados na hora de arar o campo. Os hinos são endereçados a Kshetrapati, o Deus do Campo.

Nós, tendo o Senhor do Campo como o amigo e ajudante,
Obtemos para nosso gado e cavalos, comida em abundância,
Para que eles possam ser bem alimentados.
Possa Deus graciosamente nos conceder o Seu favor!
Oh Senhor do Campo, como uma vaca que dá leite,
Derrame sobre nós rios copiosos de doçura,
Gotejante mel como néctar e puro como ghee,
Possa o Senhor nos conceder clemência!
Possa a nossa prece ser propícia à lamina de nosso arado,
Tome do leite que o Senhor produz no Céu,
E derrame-o sobre nós, na Terra.
Sulco precioso do arado, nos o veneramos.
Nós o pedimos, venha para perto de nós, abençoar e nos fazer prosperar.
E nos trazer colheitas abundantes.
Em alegria possa a lâmina do arado cortar a relva,
Em satisfação o lavrador segue os bois,
Oh Chuva Celestial, traga o mel e a água, o arado e sua lamina, e nos conceda a alegria.

Em muitas culturas existe uma oração de ação de graças para uma colheita abundante, mas as pessoas dos tempos Védicos cantavam uma oração até mesmo quando estavam arando a terra.
Prece para o Deus de Chuva
Vejamos agora a chuva. Se não houver nenhuma chuva a vida na terra simplesmente não pode existir. Parjanya foi personificado como o deus da chuva e muitos são os versos cantados em elogio de Parjanya. Ele é adorado, é venerado e também é temido. Ele pode ser suave e também tempestuoso. Ele tem que ser propiciado adequadamente porque sem ele, a vida não é possível. Aqui estão alguns versos cantados em seu elogio:

Invoque com esta canção, o poderoso Deus, o renomado Parjanya;
Conquiste suas graças com a sua adoração.
Como um touro berrando,
Com os fluxos acelerados,
Ele deposita uma semente de vida nas plantas.
Ele aplaina árvores e golpeia os demônios;
O mundo todo teme o seu poderoso golpe.
Até mesmo o inocente foge da força deste Deus,
Quando Parjanya trovejante golpeia o mau.
Como um cocheiro que urge com um chicote,
Nós o vemos dirigindo os seus arautos na tempestade.
De longe é ouvido o rugido do leão
Quando Parjanya faz as pesadas nuvens de chuva.
Os ventos explodem adiante, os raios flamejam,
As plantas são atiradas para cima, os céus fluem,
A seiva surge em todos os talos,
Quando Parjanya acelera a terra com a sua semente.
Você, a quem a terra abaixo suplica,
Você, a quem as criaturas vivas pulam,
Você, a quem as flores vestem várias cores e formas,
O Parjanya! Nos conceda proteção.
Nos alegre, Oh Deus da tempestade e da chuva do céu.
Possa o garanhão emitir o fluxo de vida nele produzido,
Possa trazer aqui o seu trovão e possa verter a chuva,
Você é Divino, o nosso Pai divino!


Chuva é necessária, sem nenhuma dúvida, mas muita chuva também pode ser um problema. Assim, há um apelo especial quando o aguaceiro for excessivo.

Você verteu abaixo a chuva;
Agora, retenha-a, nós o pedimos!
Você fez os desertos ajustados para viagens.
Para servir como comida você fez os frutos das plantas.
Receba de nós em retorno, nossa eterna gratidão.

Este é só um exemplo da vasta coleção que os Vedas representam. Todo presente de Deus é reconhecido respeitosamente. Os poetas escreveram sobre a chuva e o temporal, mas não se ouve falar, hoje, de ação de graças a todo aspecto da Natureza desta maneira. Eu posso estar completamente errado, mas até hoje, eu não encontrei qualquer adoração em qualquer outra cultura que fosse igual à encontrada nos Vedas.
É admirável que nada auspicioso ou bom era iniciado sem primeiro propiciar aos deuses. Felizmente ao menos alguns desses costumes sobreviveram até hoje. Quando uma criança nasce, há uma recordação de Deus e orações são dirigidas a Ele. Eu já fiz uma referência a isto em um artigo anterior. Há expressões semelhantes de gratidão em toda fase na vida da criança, por exemplo, quando é determinado um nome, quando é determinado o primeiro bocado de comida sólida, quando é ensinado o primeiro alfabeto, e assim por diante. Quando uma casa é construída, há um ritual chamado Bhoomi Pooja na ocasião em que o alicerce esta aberto.
Igualmente, quando a casa é completada e é ocupada, há um ritual semelhante que envolve ação de graças. E assim vai. O céptico de hoje poderia argumentar: "tudo isso pode ter sido OK em uma época quando nós não entendíamos as forças da Natureza, mas eles são claramente sem sentido no mundo de hoje". Esta visão origina-se basicamente da negação do Criador. Swami diz: "se houver um relógio, seguramente deve ter havido um relojoeiro." Se uma coisa pequena como um relógio precisa de um fabricante, não segue que o Universo tem que ter um Criador também? Poderia ter surgido do nada? Nós vemos aqui uma diferença fundamental na perspectiva das pessoas de tempos modernos comparado com pessoas da era Védica. A perspectiva moderna é largamente analítica, onde o todo é visto em termos de partes.
A visão Védica é o oposto, sendo completamente holística. Tudo - o Homem, Natureza etc., é visto como um todo integrado, com Deus no centro. Deus é assim não só central a tudo, mas também essencial. Qualquer coisa ou atividade sem Deus era inconcebível.
Reverência para a Respiração
Por exemplo, considere como a respiração foi venerada. Respiração, todos nós sabemos, é sinônimo de vida, e vida é um presente de Deus. Onde mais se pode achar uma celebração da respiração se não nos Vedas? Aqui estão alguns hinos em elogio de respiração:

Agradeça ao Sopro da Vida!
Ele rege este mundo,
Mestre de todas as coisas,
No qual todas as coisas são baseadas.
Reverencio a você Respiração da Vida,
Respirando tanto para dentro como para fora!
Para seu inspirar e para seu expirar,
Para seu ser todo eu agradeço.
Sopro da Vida, veste todos os seres com cuidado,
Como um pai a seu filho;
Mestre de todas as coisas,
Respirem elas ou não.
De tudo aquilo que nasce, ele é Deus,
De tudo aquilo que move, ele é Deus.
Para você, sopro da Vida, homenagem!
Respiração de Vida, não me abandone.
Realmente, você é eu.
Como o Embrião das Águas
Eu o ligo a mim para que eu possa viver!

Raimundo Panickkar, em cujo trabalho eu estou fundamentando estas palestras, diz a frase "Você é realmente eu", é um eco da filosofia do Upanishadi que o indivíduo é na realidade Deus. Este é um ponto importante. Vida é Deus, e quando Praana é comparado com o Eu, significa que o mesmo é Divino.

O Tempo - Deus, na Verdade
Considere o Tempo.
St. Augustine diz, "eu sei o que é o Tempo, mas não posso descrevê-lo."
Um físico moderno descreveria o Tempo como uma das quatro dimensões de espaço-tempo. Mas para pessoas da idade Védica, Tempo era verdadeiramente Deus. Aqui vão alguns versos em elogio do Tempo.

No Tempo está a Vida e a Consciência
No Tempo está concentrado o Nome.
Através do Tempo, quando Ele está presente,
Todas as criaturas estão cheia de alegria.
Tempo é energia, Tempo o bem mais alto.
Tempo é a palavra santa.
Tempo é o Deus de tudo o que é,
O Pai, o Criador.
Tempo criou as criaturas,
Tempo criou o Deus das criaturas, no princípio,
Do Tempo vem o existente Eu.
A Energia igualmente, do Tempo deriva.

Esses eram alguns versos do Atharvana Veda. Agora, mais alguns do Maitri Upanishad:

Do Tempo emergem todas as coisas,
Com Tempo elas avançam e crescem,
Também, a Tempo, elas vêm descansar,
Tempo é encarnado e também sem corpo.

Isto é, o Tempo é que cozinha e cria todas as coisas, no vasto caldeirão do Seu grande Eu.Será que nesse mesmo caldeirão o Tempo também é cozido e criado? Aquele que souber a resposta para isso conhece os Vedas inteiro!
Com o conhecimento científico de hoje, podemos encontrar furos aqui e ali, nos anteriores versos, mas ninguém pode negar o fato que os anciões veneraram o Tempo como a um Deus e também entenderam que aquele Tempo era uma criação do Deus Absoluto. Superstição, estupidez? Assim pareceria da perspectiva de hoje, mas do ponto de vista holístico que dominou a vida Védica, tal adoração e reconhecimento representam a altura da Sabedoria.
Morte e Renascimento
Falarei agora da morte, a última viagem. Há muitos Mantras e ritos associados com a morte. Tendo evoluído durante séculos, eles refletem a atitude de vários tempos. Panickkar diz que nos Mantras Védicos cantados durante um funeral, não há nenhum sinal de aflição. Os hinos são de tom notadamente sóbrios. Não há nenhum pesar, e a morte é vista como um evento que une a pessoa morta com os seus antepassados. Aqui vai uma amostra de tais hinos:

Prossiga, prossiga ao longo dos caminhos antigos
Onde os nossos antepassados passaram antes de nós.
Lá você verá Deus Varuna e Yama, os dois reis, alegres com os oferecimentos.
Conheça Yama e os Pais no céu mais alto,
Junto com os seus oferecimentos e ações louváveis.
Liberte-se da imperfeição, busque sua habitação novamente
E assuma um corpo luminoso com glória.

Como pode ser visto, há uma referência clara ao renascimento. Aqui vão alguns hinos que tornam este aspecto mais explícito.

Seu espírito que foi longe,
Para Yama, filho de Vivasvat,
Possa retornar novamente para você,
Que possa viver e morar aqui.
Seu espírito que foi longe,
Para a terra do céu,
Possa retornar novamente para você,
Que possa viver e aqui.
Seu espírito que foi longe
Para os quatro cantos da terra,
Possa retornar novamente para você
Que pode viver e pode morar aqui.
Seu espírito que foi longe,
Para as quatro direções do espaço,
Possa retornar novamente para você
Que pode viver e pode morar aqui.
Seu espírito que foi longe,
Para as ondas do oceano,
Possa retornar novamente para você
Que pode viver e pode morar aqui.
Seu espírito que foi longe,
Para os reinos mais distantes,
Possa retornar novamente para você
Que pode viver e pode morar aqui.

O Sathapatha Brahmana também vê a morte como um mero prelúdio para o nascimento.

Diz:
Na verdade, um homem nasce três vezes.
Primeiro ele nasce da sua mãe e pai.
Ele nasce em uma segunda vez
Executando os seus sacrifícios rituais.
Ele nasce uma terceira vez quando morre
E eles o colocam na pira,
Para prosseguir a uma nova existência.
Então eles dizem: "o Homem nasce três vezes!"

A pergunta poderia surgir: estes hinos parecem focalizar no renascimento enquanto que as verdades do Upanishad direcionam para Imortalidade. Isso é um ponto válido, e pode ser que eu comece meu próximo artigo com isso Para o presente, espero que eu tenha, até certo ponto pelo menos, conseguido lhe dar uma avaliação ampla da herança Védica, guiado pelo trabalho monumental de Panickkar.
Om Sai Ram.

Nota: Este artigo foi traduzido do texto em inglês das palestras levada ao ar na Radio Sai em Prashanti Nilayan pelo professor G. Venkataraman em 2006

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