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  Meditação
Meditação - Como ensinado por Sathya Sai Baba

“Meditação, de fato, é o primeiro passo para a auto-realização. A razão por que tenho chamado este o primeiro passo de seu treinamento é que hoje há um considerável número de pessoas que não podem tolerar dificuldades e inconvenientes e, ainda assim, desejam coisas maiores, mais subjetivas. Esta disciplina, a qual a si mesmos vocês impõem, os conduzirá à felicidade e à glória.”
Sadhana, p.112 (cap. V, item 38)

“Mediante dhyana (meditação) você mergulha na idéia da Universalidade e Onipotência de Deus. Não é para você uma diária constatação que uma preocupação maior domina uma outra menor e o leva a esquecer-se desta? Quando você plenifica sua mente com a de Deus, quando por Ele você anseia e a Ele levanta seu clamor, todos os demais anseios, todos seus desapontamentos e mesmo todas as realizações desmaiam, sumindo na própria insignificância. Você esquece tudo. Desejos, frustrações e realizações jazem submersas na inundação do divino anseio e, logo depois, no próprio Oceano da Bem-aventurança.”
Sadhana, p. 97 (cap. V, item 5)

“Você contempla as estrelas no espaço, mas conserva inexplorado o céu interior. Vasculha a vida alheia assinalando erros e falando mal das pessoas, mas não cuida de analisar seus próprios pensamentos, atos e emoções para julgar se são bons ou maus. Os erros que nos outros você vê não passam de projeções dos seus próprios; o bem que nos outros observa é o reflexo de sua própria bondade. Só mediante a meditação (dhyana) você poderá cultivar o bem-ver, o bem-ouvir, o bem-pensar e o bem-agir.”
Sadhana, p. 97 (cap. V, item 6)

“Para a prática de meditação (dhyana) a hora é importante, e a mais indicada é chamada Brahma muhurtha. Você terá de escolher a Forma que lhe aprouver para sobre ela meditar durante o período chamado Brahma muhurtha, que vai das 3:00 às 6:00. Você terá de meditar sempre à mesma hora todos os dias.”
Sadhana, p. 114 (cap. V, item 47)

“Meditar cedo, pela manhã, é melhor. A mente está quieta e não há a pressão das responsabilidades.”
Conversações, p. 158

“Sentar-se ereto é importante. Entre a nona e a décima segunda vértebra reside a força vital. Se a espinha dorsal é ferida nessa altura, a paralisia ocorre. Se o corpo estiver em posição ereta, como se ele estivesse fixado a um poste reto, a força vital poderá se elevar através do corpo ereto e dar uma intensa concentração à mente. Além do mais, assim como um pára-raios atado ao telhado de um prédio atrai o raio, de modo semelhante um corpo ereto transforma-se num condutor, por assim dizer, para que o poder divino entre no templo do seu corpo e lhe dê forças para empreender sua tarefa e alcançar sua meta. Um outro exemplo: o poder divino está sempre aqui, como os sinais de rádio. Mas, para ouvir a música no rádio, deve-se ter uma antena. Além disso, se o sintonizador não estiver adequadamente ajustado, haverá algum som, mas nenhuma música. De maneira semelhante, o poder divino, que está sempre presente, poderá fluir para dentro de você se a meditação for correta e se o corpo estiver ereto.”
Conversações, p. 168/169

“Um trabalho especial de concentração não implica ser parte da meditação. A concentração já está em vigor onde quer que a mente, a inteligência e os sentidos sejam usados. Sem ela, você não poderia sequer andar. Não necessita prática especial. Está abaixo dos sentidos. A meditação está acima dos sentidos. Entre a concentração e a meditação, como uma separação entre as duas, está a contemplação. Da concentração para a contemplação e então, depois, meditação. Enquanto o indivíduo pensa, 'Eu estou meditando', isso é a mente, e não é meditação. Se o indivíduo sabe que está meditando, ele não está meditando.”
Conversações, p. 159

“Não é prático tentar se concentrar naquilo que não tem forma. Concentrar-se no Jyoti (luz - chama da vela) é uma ilustração. O objeto de concentração pode ser o som, a forma, o Jyoti, etc. Precisa ser algo concreto. Não é fácil fixar a mente no abstrato.”
Conversações, p. 163

“Por que uma luz? Se vocês pegarem uma porção de areia muitas vezes seguidas, a areia, da qual essa porção é retirada, se esgotará com o tempo. Se cada um tirar água de um tanque, o tanque secará. Mas milhares de pessoas podem tomar a chama de uma vela para acender suas velas, e a chama em nada diminuirá.”

“Acenda uma lâmpada ou uma vela. Olhe fixamente para a chama que está na sua frente. Depois, leve a chama da vela, o Jyoti, para dentro de seu coração e veja-a no meio das pétalas do coração. Veja as pétalas do coração desabrocharem e veja a luz iluminar o coração. Maus sentimentos não podem permanecer. Então, mova a chama às mãos e elas já não poderão praticar más ações. Mova depois a chama, de igual maneira, para os olhos e ouvidos, para que eles possam, daqui por diante, receber somente sensações sábias e puras. Então, mova a luz para o exterior, para seus amigos, parentes e inimigos e depois, ainda, para os animais, aves e outros objetos para que eles sejam iluminados pela mesma luz. Cristo disse: 'Todos são um, seja igual a todos'. Desta maneira, você não mais será limitado ao seu corpo, mas se expandirá através do universo. O mundo, que é agora tão grande, se tornará muito, muito pequeno. Expandir além do próprio ser, ver que sua luz é a luz do universo, é a chamada libertação. A Libertação não é diferente disso.”
Conversações, p. 168

“A luz é primeiro levada ao coração, o qual é concebido como um lótus, cujas pétalas se abrirão. O Jyoti é, então, levado a outras partes do corpo. Não há uma seqüência em particular. Mas o importante é a ultima parte no corpo, que é a cabeça. Lá, a luz se transforma numa coroa, que envolve e protege a cabeça. A luz é então levada ao exterior, do particular ao universal. Leve a luz aos parentes, aos amigos, aos inimigos, às árvores, aos animais, aos pássaros, até que o mundo inteiro e todas as suas formas sejam vistos com a mesma luz no seu centro, tal como a que você percebeu dentro de você. A idéia de mover a luz para a fase universal, a idéia de universalidade é a de que a mesma luz divina está presente em todos e em toda parte. Para imprimir essa universalidade na mente, fazemos espalhar a luz para fora de nosso próprio corpo. Deve-se compreender que o que acontece na meditação, à medida que sua prática é aprofundada, não é o pensar na luz, mas o esquecer do corpo e, portanto, a experiência direta de que o corpo não é a própria pessoa. Esse é o estágio de contemplação, quando o corpo é totalmente esquecido. Isso não pode ser forçado. Acontece por si mesmo e é o estágio que naturalmente se segue à concentração correta. Vivekananda contou que, durante a meditação, ele era incapaz de encontrar seu corpo. Onde estava seu corpo? Ele não podia achá-lo. Olhar a luz e movê-la daqui para lá é dar trabalho à mente, mantendo-a ocupada na direção correta, de maneira que ela não ficará pensando nisto e naquilo e, assim, interferindo com o processo de ficar mais e mais quieta. Espalhar a luz em sua fase universal, enviá-la a todos os outros corpos, estando-se tão concentrado nisto, que já não mais se está consciente do próprio corpo, esse é o estágio da contemplação. Quando a contemplação se aprofunda, a etapa da meditação chega no momento apropriado por 'sua vontade'. Ela não pode ser forçada. Se a pessoa que medita permanece consciente de si, e sabe que está engajada em meditação, então ela não está meditando, mas ainda está na etapa preliminar, no começo da concentração. Existem três etapas: concentração, contemplação e meditação. Quando a concentração se aprofunda, esta naturalmente passa à meditação. A meditação está inteiramente acima dos sentidos. Na etapa da meditação, quem medita, o objeto da sua meditação e o processo de meditação desaparecem e então permanece somente Um, e esse Um é Deus. Tudo o que pode mudar desaparece e somente Tat Twam Asi - 'Tu és Isto' - é o estado que existe. Quando se volta gradualmente ao estado de consciência habitual, o Jyoti é recolocado no coração e mantido ali aceso durante o dia todo.”
Conversações, p. 164

“As três etapas - a concentração, que fica abaixo dos sentidos; a meditação, que fica inteiramente acima dos sentidos; e a contemplação, que fica entre as duas e está parcialmente dentro e parcialmente acima dos sentidos, que está nos limites de cada uma dessas etapas - constituem a experiência da genuína meditação, quer o objeto seja uma forma, quer seja luz. Não há diferença essencial. Se o devoto tem uma forma de Deus, a qual ele está particularmente dedicado, ele pode imergir essa forma no Jyoti, e essa forma - que lhe é a mais atraente e é o objeto de sua concentração - será vista dentro da luz, onde quer que ela seja vista. Ou seja, a concentração sempre será na forma de Deus, porque Deus é universal em cada forma. O objeto escolhido é só um estratagema, para permitir à pessoa mergulhar profundamente na quietude e permitir ao corpo, que é não-Self, distanciar-se da consciência. Qualquer coisa concreta como a luz, a forma ou o som pode ser escolhido como objeto de concentração. Não é possível passar diretamente para a etapa da meditação.”
Conversações, p. 165


“Quando longe de Swami, lembrar Dele, fazendo isso ou aquilo, recarrega a bateria. Isso também é meditação genuína. Meditação é constante indagação interna quanto a quem sou eu, o que é a verdade, o que é ação do ego, o que é amor e o que é desarmonioso. Meditação é pensar nos princípios espirituais, buscando a aplicação para si mesmo do que Baba diz, e coisas parecidas.”
Conversações, p. 160

“A meditação, como descrita por Swami, é a estrada real, o caminho fácil. Por que se preocupar com outras práticas? Para que a meditação seja efetiva, deve haver uma prática constante, sem pressa e sem preocupação. Com a prática constante, a pessoa se torna calma e o estado de meditação acontece naturalmente. Pensar de outra maneira é debilidade. O sucesso é garantido. Invoque a Deus, Ele o ajudará. Ele responderá e Ele próprio será o seu guru. Ele o guiará. Ele estará sempre ao seu lado. Pense Deus, veja Deus, ouça Deus, coma Deus, beba Deus, ame Deus. Esse é o caminho fácil, a estrada real para sua meta de romper a ignorância e alcançar a realização de sua natureza verdadeira, que é una com Deus.”
Conversações, p. 166



Meditação na Luz

“Reserve uns poucos minutos no início de cada dia para a prática de Dhyana (meditação). Mais tarde, você estará pronto para aumentar a duração. Será assim quando você experimentar uma agradável emoção de paz.

Que a meditação seja praticada nas horas que antecedem a aurora (entre 3 e 6 da manhã). Tais horas são preferíveis porque o corpo está repousado pelo sono e as peregrinações do dia-a-dia ainda não se imiscuíram nos sentidos e não transviaram as energias físicas e mentais. Disponha de uma lamparina ou uma vela com uma chama firme e ereta. O fulgor de uma chama nunca diminui, embora muitas outras chamas possam vir a ser acesas a partir dela. É por isso que a chama é o mais apropriado símbolo do Eterno Absoluto.

Sente-se em qualquer ásana (postura firme, com a coluna ereta) que seja confortável, diante da chama. Olhe firme para esta; depois, fechando os olhos, tente senti-la dentro de você, entre as sobrancelhas. Deste ponto, deixe-a crescer no rumo do lótus do seu coração, iluminando o trajeto que fizer. Quando ela entrar no coração, no ponto central do peito, visualize as pétalas do botão de lótus, uma a uma, se abrindo, e que cada pensamento, sentimento, emoção e impulso está se banhando na Luz que remove as trevas.

Não há espaço onde a treva ache refúgio. Só lhe resta fugir à presença da Luz. Imagine que a Luz se faz mais ampla, maior e mais refulgente. Penetra os membros e, assim, eles já não podem se ocupar com atividades sombrias, perversas, suspeitas. Tornaram-se agora instrumentos da Luz, isto é, do Amor, e você está consciente disso. A luz enche a língua. Falsidade, calúnia, jactância, maledicência desaparecem. Chega aos ouvidos. Todos os desejos maus que os infestam e infectam são destruídos pela radiosa Luz da Sabedoria e da Virtude. Os ouvidos estão isentos de puerilidade e de veneno. Que sua cabeça fique carregada de Luz. Todos os pensamentos viciados e perversos desaparecem, por serem comensais das trevas.

Imagine que a Luz em você cada vez mais se intensifica; e isso, real e exatamente acontecerá. Deixe-a expandir-se em sua volta, envolvendo-o em Sua refulgência de Amor: deixe-as alargar-se a partir de você em esferas cada vez mais amplas, alcançando e envolvendo seus parentes mais próximos, seus entes amados, seus amigos, seus companheiros, e também estranhos, inimigos e rivais – os homens todos do mundo, todos os seres da criação inteira. Faça isto sem falhar, todos os dias, tanto quanto desfrute a meditação; faça-o de forma profunda e sistemática. Hora certamente virá em que você não mais curtirá pensamentos sombrios e maus, não mais nutrirá planos negros e sinistros nem mais terá apetites por alimentos e bebidas intoxicantes, não mais manipulará coisas feias e inferiores, não mais padecerá tendência à infâmia e injúria, nem formulará maus desígnios. Você estará então no Reino Divino, e gozará a Paz que transcende o alcance das palavras.

Permaneça nessa emoção, testemunhando a Luz, sendo Luz por toda parte e para todos. Se estiver acostumado a adorar Deus em uma das suas Formas, visualize-A nesta Luz. Deus é Luz; Luz é Deus. Quando Luz encontra Luz, tudo é Luz. Fronteiras não existem entre a sua Luz e a Luz d’Ele. Elas se cumprimentam. Elas se fundem.”

Sadhana, págs. 102 e 103

Fonte: Organização Sri Sathya Sai - www.sathyasai.org.br
Fundação Sai do Brasil – www.fundaçãosai.org.br







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